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"Eis que estarei convosco até..." o Vaticano II?

  • Foto do escritor: Gabriel Chimite
    Gabriel Chimite
  • há 5 dias
  • 2 min de leitura

Há uma pergunta importante que precisa ser feita sobre as recentes ordenações episcopais feitas pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X: até onde vai a promessa de Cristo de estar com a sua Igreja?


Jesus disse: “Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28,20). Ele não disse que sua presença estaria limitada a um determinado concílio ou a um determinado papa. Sua promessa foi feita à Igreja que Ele fundou sobre Pedro, e que é assistida pelo Espírito Santo ao longo dos séculos.


A lógica por trás da desobediência da FSSPX leva a uma conclusão preocupante: em algum momento, Cristo teria deixado de cuidar da sua Igreja. Se a Igreja universal, reunida em Concílio Ecumênico, e os papas romanos subsequentes tivessem realmente caído na heresia, então as forças do mal teriam prevalecido. Isso significaria que a promessa de Cristo não foi cumprida.


No entanto, a fé católica não permite que acreditemos nisso.


É perfeitamente legítimo amar a liturgia tradicional e estudar os Padres da Igreja, Santo Tomás de Aquino e o Magistério de todos os tempos. Também é legítimo discutir as interpretações pastorais e apontar as dificuldades que surgiram após o Concílio Vaticano II. No entanto, não é católico usar essas dificuldades como justificativa para romper a comunhão com o papa, a quem Cristo confiou a missão de confirmar os irmãos na fé.


A verdadeira Tradição nunca existiu em oposição a Pedro. Ela floresceu com Pedro. Os grandes santos reformadores, como Santo Atanásio, Santa Teresa d'Ávila, São Carlos Borromeu e São Pio X, enfrentaram crises profundas sem criar uma “igreja paralela". Eles permaneceram na barca de Pedro, mesmo quando as tempestades pareciam ameaçar afundá-la.


As ordenações episcopais feitas contra a vontade do Papa não representam um triunfo da Tradição, mas sim uma repetição de um erro que aumenta a divisão na Igreja. Quem verdadeiramente ama a herança litúrgica e doutrinal católica deve desejar vê-la florescer em plena comunhão com o Sucessor de Pedro, e não à margem dele.


A Tradição não é um museu nem uma bandeira de oposição. Ela é a transmissão viva da fé da Igreja. E essa Igreja continua sendo a mesma que Cristo prometeu estar com até o fim dos tempos.


Ou acreditamos na promessa de Cristo, ou acabamos acreditando que Ele abandonou a sua própria Igreja. Entre essas duas possibilidades, a fé católica nunca hesitou em escolher a primeira.

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