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Mesmo com apelo do Papa, fraternidade radical realiza ordenações cismáticas

  • Foto do escritor: Gabriel Chimite
    Gabriel Chimite
  • 1 de jul.
  • 2 min de leitura

Ignorando o pedido de Leão XIV e a advertência da Santa Sé, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X consagrou quatro novos bispos sem mandato pontifício, aprofundando a ruptura com a comunhão da Igreja.


Imagem gerada por IA (Inteligência Artificial)
Imagem gerada por IA (Inteligência Artificial)

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) realizou nesta quarta-feira (1º), em Écône, na Suíça, a consagração episcopal de quatro novos bispos sem o indispensável mandato do Romano Pontífice. A cerimônia ocorreu apesar do apelo público e pessoal feito pelo Papa Leão XIV apenas dois dias antes, no qual o Santo Padre suplicava que a Fraternidade desistisse do que classificou como uma ação cismática.


Os novos bispos consagrados são os padres Pascal Schreiber, Michael Goldade, Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier. A celebração foi presidida por dom Alfonso de Galarreta, com a participação de dom Bernard Fellay, diante de milhares de fiéis reunidos na sede internacional da Fraternidade. Durante a cerimônia, a FSSPX sustentou que as consagrações eram necessárias para garantir a continuidade de suas atividades, posição rejeitada pela Santa Sé.


Na carta divulgada ontem pela Santa Sé, Leão XIV reconheceu que muitos fiéis ligados à Fraternidade demonstram sincero amor pela liturgia tradicional, pela formação sacerdotal e pela Tradição da Igreja. Contudo, advertiu que esse patrimônio espiritual jamais pode ser separado da comunhão com o Sucessor de Pedro. O Papa pediu que a Fraternidade reconsiderasse sua decisão, lembrando que um ato cismático privaria os fiéis da recepção lícita e, em alguns casos, até válida dos sacramentos, além de afirmar que "rasgar a túnica inconsútil de Cristo é um pecado de extrema gravidade".


Mesmo diante desse apelo, a Fraternidade prosseguiu com as consagrações. Em resposta, o Vaticano afirmou que a advertência do Papa foi ignorada e considerou que a ruptura se aprofundou com a realização das ordenações episcopais sem autorização pontifícia.


A tradição litúrgica e espiritual da Igreja permanece um tesouro precioso do catolicismo e continua plenamente viva em numerosas comunidades e institutos que preservam esse patrimônio em comunhão com a Sé Apostólica. O episódio desta quarta-feira, porém, evidencia que o verdadeiro amor à Tradição não pode ser dissociado da obediência ao Papa e da unidade da Igreja, princípios inseparáveis da fé católica.


As consagrações de Écône reabrem uma das mais delicadas feridas da história recente da Igreja, mais de três décadas após as ordenações episcopais ilícitas promovidas por dom Marcel Lefebvre em 1988. Ao insistir em um caminho à margem da autoridade do Romano Pontífice, a Fraternidade São Pio X afasta-se novamente do esforço de reconciliação promovido pela Santa Sé e renova um gesto que Leão XIV havia pedido, com insistência, que não fosse realizado.

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