Não podemos politizar as nossas Preces da Assembleia.
- Gabriel Chimite
- 23 de ago. de 2025
- 2 min de leitura

Na celebração da Eucaristia, as Preces da Assembleia – também conhecidas como Oração dos Fiéis – são um momento sagrado em que a comunidade se une para apresentar a Deus suas súplicas, intercedendo pelas necessidades da Igreja, do mundo, dos governantes, dos que sofrem e de toda a humanidade. Este instante, profundamente espiritual, não deve ser instrumentalizado para fins políticos ou ideológicos.
Infelizmente, tem-se observado, em algumas comunidades, a tendência de transformar as Preces em palanque para ataques pessoais, críticas a autoridades específicas, acusações a grupos sociais ou influenciadores, e até mesmo para reivindicações políticas diretas. Mencionar nomes de deputados federais, acusá-los de chantagem, atacar influenciadores de direita ou esquerda, ou pedir ações governamentais específicas durante a liturgia, desvirtua o verdadeiro sentido da oração comunitária.
A Igreja, fiel à sua missão, sempre defendeu a dignidade humana, a justiça social e o bem comum. No entanto, a liturgia não é espaço para partidarismos, polarizações ou discursos que promovam divisão. O Papa Francisco, em diversas ocasiões, nos recorda que a fé cristã deve ser vivida com caridade, respeito e abertura ao diálogo, sem cair na tentação de “ideologizar” a fé ou instrumentalizar a religião para fins alheios ao Evangelho.
As Preces da Assembleia devem ser universais, abrangendo as necessidades de todos, sem distinção de cor, partido ou posição social. Devem ser sóbrias, claras e respeitosas, evitando acusações, julgamentos ou discursos inflamados. O fiel católico é chamado a rezar pelos governantes, independentemente de sua filiação política, pedindo a Deus que os ilumine para o exercício justo e ético de suas funções.
A ecologia, a justiça social e a defesa dos mais vulneráveis são valores cristãos, mas devem ser apresentados nas Preces de modo evangélico, sem transformar a oração em manifesto político. O mesmo vale para as legítimas preocupações com leis, direitos dos trabalhadores ou questões ambientais: tudo deve ser colocado diante de Deus com humildade, sem transformar a liturgia em espaço de militância.
Que nossas Preces sejam expressão de comunhão, caridade e esperança, e não de divisão, ataque ou manipulação. Que a Assembleia Litúrgica seja sempre lugar de encontro com Deus e com os irmãos, onde todos possam experimentar a paz e a unidade que vêm do Espírito Santo.



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