Folia do Divino em Cananéia: uma tradição que atravessa gerações.
- Gabriel Chimite
- 5 de jun. de 2025
- 3 min de leitura
A Romaria da Bandeira do Divino parou por alguns anos, mas voltou em 1983 com o apoio de Padre João Trinta (nascido Jan Van Der Heijden).

O ano era 1322, em Lisboa, Portugal, a Rainha Isabel contruia a Igreja do Divino Espírito Santo em Alenquer, assim, a devoção ao Divino Espírito Santo foi difundida no país e trazida ao Brasil pelos portugueses. Aqui, os primeiros registros se dão entre os séculos XVII (17) e XVIII (18).
É o caso de uma carta do capelão João de Morais Navarro a Rodrigues Cezar de Menezes, então governador da Capitania de São Paulo, datada de 19 de maio de 1723, que se iniciava com as seguintes palavras: "Indo ter à festa do Santíssimo Espírito Sancto a Vila de Jundiahy [...]" (em "Documentos Avulsos", publicação do Arquivo do Estado).
Antigamente, a Festa do Divino constituía-se do estabelecimento do Império do Divino, com palanques e coretos, onde se armava o assento do Imperador, uma criança ou adulto escolhido para presidir a festa, que gozava de poderes de rei. Tinha o direito, inclusive, de ordenar a libertação dos presos comuns, em certas localidades do Brasil e de Portugal.
Para arrecadar os recursos de organização da festa, fazia-se antecipadamente a Folia do Divino: grupos de cantadores visitavam as casas dos fiéis para pedir donativos e todo tipo de auxílio. Levavam com eles a Bandeira do Divino, ilustrada pela Pomba que simboliza o Espírito Santo e recebida com grande devoção em toda a parte. Essas Folias percorriam grandes regiões, se estendendo por semanas ou meses inteiros.
Assim, em Cananéia, surgia a Romaria da Bandeira do Divino, composta de quatro foliões que levam consigo o Divino Espírito Santo.
Em 2014, ano da publicação do livro "Chegadas e Despedidas", a tripulação da Romaria era:
Mestre André Pires - Viola e voz
Valdir Martin (Gico - In Memoriam) - Rabeca
Esaltino de Campos (Quico) - tenor e caixa
Aguinaldo Pontes - tipe
O livro já começa com a cantoria de Chegada da Bandeira nas casas, que pode ser ouvido aqui.

No livro, Mestre André contou como é a sensação dos devotos ao receberem a bandeira em suas casas:
Quando a Bandeira do Divino chega na casa dos devotos, é um momento de muita alegria. A cantoria, que são os versos que fazemos pro Divino Espírito Santo, trazem lembranças e recordações para muita gente.
Em seguida, ele contou:
Eu faço a Romaria á 35 anos e faço a parte de Mestre.
Mestre é aquele que sai com a viola cantando e fazendo a rima dos versos de casa em casa. E assim, a gente tá com a Romaria ainda aí.
Aqui, ele contou como eram as coisas em 2014, hoje, em 2025, que está com a viola e quem puxa os versos é o Sr. "Quico" e o Mestre André, atualmente, está com a rabeca.
Mestre André falou sobre o período de romarias antigamente:
Antigamente, saia 3 de maio as bandeiras, uma pro norte e outra pro sul. Naquele tempo, não era comunidade, era vizinhança, percorria essas vizinhanças todas e recolhia no dia 9 de junho, era um mês e seis dias que ficava na caminhada. Hoje só uma bandeira percorre o município todo.
Como o livro é de 2014, é compreensível que não tenha algumas coisas mais recentes.
A partir de 2023, a Romaria voltou a ter duas bandeiras, uma pro norte e outra pro sul, e com duas trupes diferentes.





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